segunda-feira, 10 de junho de 2013

MAURÍCIO, MEU FILHO(II)



Nas comemorações da Independência, realizadas no dia 7 de setembro de 1988, atendendo a solicitação das autoridades municipais de Morretes, pronunciei o discurso  relativo à data, em solenidade realizada na praça Rocha Pombo. Felizmente encontrei em meus arquivos uma cópia daquele discurso e hoje, ao relê-lo, surpreendo-me com o teor dele, dando-me fortes indícios de inspiração premonitória dos acontecimentos que estariam por vir. Na leitura da  transcrição abaixo, de trechos daquela peça oratória, peço aos meus estimados leitores que me acompanhem:

 “Descrever os acontecimentos que culminaram com a nossa independência política, seria fastidioso, uma vez que eles, são por todos nós, desde os bancos escolares, sobejamente conhecidos. Importa isto sim, rememorando o marco histórico fincado no longínquo ano de 1822, jornadear através da história, tirando, dos incontáveis episódios ocorridos, ilações para os dias atuais.
A história de um povo, que penosamente  galga os degraus da evolução, não se faz somente de altruísmos,  mas também, com lamentáveis atos de prepotência e dominação. Exemplifiquemos com o raciocínio que se segue.
Quando, em 1822, ganhamos a nossa liberdade e com entusiasmo chegamos a cantá-la em hinos, deveríamos, por nossa vez, tê-la dado aos negros que escravizávamos. Afinal, se éramos um povo que acalentava aspirações legítimas de emancipação, os negros também o eram, e aqui estavam a contragosto, arrancados à força dos seus lugares de origem. Que fizemos no entanto? Mantivemo-los em cativeiro ainda pelo dilatado espaço de 66 anos, e o horror desse vilipêndio contra uma raça, foi muito bem expresso pelo poeta Castro Alves.
Muito longe estamos de resgatar a enorme dívida nacional para com essa raça tão humilhada e tão sofrida, se levarmos em conta que os descendentes dos antigos escravos, constituem ainda agora, a maioria dos habitantes das favelas, dos subúrbios e das periferias de nossas cidades, limitados quase sempre às profissões mais sacrificiais e menos remuneradas, sofrendo ainda hoje, o disfarçado preconceito das maiorias
sociais.”

          Quando assim me pronunciei, nem de longe eu imaginava que, alguns meses depois, meu filho embarcaria para Moçambique, país de onde eram oriundos, no passado, grande número de escravos, caçados e vendidos para trabalhar em terras brasileiras. Era como se, depois de trabalhar em assentamentos aqui, contribuindo para  resgatar parte da dívida coletiva que  assumíramos, Maurício foi a uma das fontes fornecedoras de escravos no passado, para lá encerrar a missão de resgate, talvez individualmente assumida com  aquele país. Foi, diríamos, o epílogo de uma história linda, feita de dedicação, competência e muito amor. Hoje, substituímos as lágrimas, inevitáveis pelo vazio da ausência de uma criatura tão presente em nossas vidas, pela alegria do dever cumprido, por ele, pela galhardia com que levou até ao fim sua missão e por nós, amigos e familiares, pelo amparo moral tão necessário que pudemos dar-lhe em todos os momentos.
             Amigos, para não cansá-los, encerro o capítulo de hoje. Voltarei ao assunto na próxima postagem. Há ainda muito que dizer. Obrigado pela atenção e até a próxima.
           Prof. Nazir

quinta-feira, 25 de abril de 2013

MAURÍCIO, MEU FILHO. (I)


Neste blog, iniciado em fevereiro de 2011, constam episódios de minha vida pessoal, de fatos acontecidos na comunidade onde sempre vivi, das instituições escolares, assistenciais e de outras naturezas onde atuei, de um dos fragmentos de minha história familiar, na qual me deterei no capítulo de hoje.
De meu casamento em 1953, nasceram, Mauricio em 1954 e Marisa em 1960. Do casamento deles, cinco netos alegram os nossos dias: Leonardo e Gustavo da parte de Maurício e Cristina; Bruno, Luciano e Taís da parte de Marisa e Odilon.
De todos eles tenho recebido inequívocas demonstrações de amor e carinho. Hoje, no entanto, Maurício será o foco principal destas publicações, pelos acontecimentos que cercaram sua vida, pelas qualidades de liderança e dedicação nos trabalhos de cunho social a que se entregou como profissional de engenharia agronômica, e pela competência que lhe valeram sucessivos cargos de chefia nos núcleos regionais de agricultura e correlatos, tanto interioranos como da capital do Estado e finalmente pelo seu falecimento trágico em Moçambique, ex-colônia portuguesa no continente africano onde se encontrava em plena atividade, nos trabalhos de assentamento de refugiados de guerra e que o inseriram nos anais da  história da formação daquele país.
Seu último cargo, antes da partida para Moçambique, foi o de Secretário da Agricultura e Abastecimento do Estado do Paraná, assumido em substituição ao Sr. Jorge Sameck que se desincompatibilizara, para concorrer como candidato a deputado federal, em 1988, no final do Governo Roberto Requião. Encerrado o período governamental Maurício poderia voltar ao Instituto de Terras e Cartografia aos quadros do qual pertencia, ou atender convite partido da administração de outros estados para implantar neles o programa dos mercadões populares. Preferiu aceitar a proposta de seus dois grandes amigos, Joaquim Severino e Luiz Alberto Scorsin para trabalhar na empresa da qual eram titulares, a AGRÁRIA – Engenharia e Consultoria. Aceitou e meses depois, mais precisamente, em maio de 1989, embarcava para Moçambique.
Abro agora um espaço para falar de três pessoas, duas delas, Joaquim e Escorsin, grandes amigos do Maurício e que se tornaram amigos meus e uma terceira pessoa, o Sr. Sílvio Galdino de Carvalho Lima, que fora o companheiro de meu filho no denominado Projeto Nhamatanda destinado a atender milhares de famílias deslocadas pela guerra e assentadas em condições precárias numa área denominada Corredor de Beira. Eu só conhecia o Sílvio pelo artigo por ele escrito e que foi publicado no “Informativo Agronômico”, em agosto de 1989, com o título “UMA VIDA PELA PROFISSÃO”. Nele, Sílvio traça o perfil do Maurício em atividade. Destaco esta frase: “Seu jeito muito brasileiro de ser, comunicativo e alegre, cativou muito fortemente todos os seus interlocutores. Testemunho vivo disso foi o que ouvi do seu contraparte, principal auxiliar direto, Francisco Mangolange descrevendo a emboscada na qual ele tomara parte sentado ao lado de Maurício, onde chorando disse: “quisera ter sido eu em lugar do Maurício. ”Só vim a conhecer pessoalmente o Sílvio quando ele, já de volta ao Brasil, foi-me apresentado quando  participávamos ambos  de uma cerimônia religiosa em favor do Maurício. Esse encontro e mais o “Diário de Moçambique” de autoria dele que eu teria em minhas mãos, anos mais tarde, geraram em mim, como não podia deixar de ser, fortes emoções.
Luiz Alberto Scorsin, já se encontrava em Moçambique preparando documentos contratuais e projetos para o início dos trabalhos quando lá chegaram Galdino e Maurício, para assumir a execução do projeto. Dias depois regressava ao Brasil encerrando assim a sua responsabilidade como introdutor. Scorsin foi o grande amigo com quem convivi por um bom tempo. Encontrávamo-nos de tempos em tempos em Curitiba, almoçávamos juntos, conversávamos muito procurando amenizar a dor da ausência do Maurício.  A minha como pai, a dele como amigo.
O artigo escrito por Joaquim Severino Intitulado BRASILEIROS NA ÁFRICA, publicado no jornal Indústria & Comércio, em Dezembro de 2011, em comemoração aos vinte e cinco anos de existência da AGRÁRIA, homenageia Galdino e Maurício  e dá-nos uma idéia dos resultados da execução do Projeto Nhamatanda que se evidenciou com o excedente  de seis mil toneladas na produção de alimentos e foi considerado pela Direção Nacional de Desenvolvimento Rural do país como referência exitosa de ação integrada e consequente. Fala-nos ainda que “coube a Sílvio Galdino, com a experiência e serenidade própria de um homem sábio, repatriar o corpo do colega e seguir adiante com o projeto, ao invés de desistir do mesmo como foi a ideia depois desse grande impacto.”
Imaginemos o que deve ter sido para os brasileiros, integrantes do projeto, primeiro pelo impacto da tragédia, depois pelas dificuldades para as providências relativas ao transporte do corpo para o Brasil. Houve até uma reunião com as autoridades moçambicanas para planejar como isso seria feito.
Ficou decidido que o transporte de Beira (onde estava o corpo) para Maputo, a capital, a mil quilômetros de distância, seria feito num taxi aéreo. Como o único avião disponível estava em Maputo a viagem seria de ida e volta. Viria para Beira já trazendo o caixão especial, a ser fechado e lacrado com a presença de quatro  autoridades. Tudo foi feito conforme o planejado.  Às 18:30, do dia 13 de julho de 1989, levando o corpo de meu filho, o avião decolou de retorno a Maputo e de lá, no dia seguinte, em avião que faria conexão com o voo da Varig, viajaria para o Brasil. O trabalho realizado pela equipe de Sílvio Galdino visando o embarque do corpo, é descrito no diário, passo a passo, hora a hora, minuto a minuto. O diário, por ser um trabalho meticuloso e revelador da situação na vida do país naquela etapa, é um documento histórico valioso.
Transportemo-nos agora para o Brasil. Aqui, como lá, a notícia só nos chegou no dia 12 de julho, uma quarta-feira. Eu a recebi por um telefonema do Scorsin falando dum acidente sem mencionar a morte, certamente para amenizar o impacto, mas sugerindo que fôssemos a Curitiba para lá aguardar notícias mais detalhadas.
Em Curitiba a casa de meu irmão Mussi ficou de portas abertas para receber todos os familiares e amigos, com os telefones no aguardo das notícias, agora sobre o transporte do corpo, uma vez que o falecimento já era do conhecimento de todos. Enquanto aguardávamos não fazíamos ideia do trabalho exaustivo da equipe comandada por Sílvio Galdino para, movendo céus e terras, colocar o corpo, já cumpridas todas as formalidades legais, no avião que levantaria voo de retorno a Maputo, dando por finda a parte que a eles cabia na triste tarefa.
Finalmente a notícia aguardada. O corpo chegaria ao Aeroporto Afonso Pena na manhã do dia 15 de julho, um sábado. Dirigimo-nos ao aeroporto, sentamo-nos na sala de espera aguardando a chegada do avião da Varig. Difícil descrever o meu estado emocional naquele momento. Cheguei a ver a urna funerária sendo descarregada. Dali seguimos para o cemitério Iguaçu onde o corpo seria velado e dado á sepultura às cinco horas da tarde. Atendi, desse modo, a solicitação de minha nora Cristina, para sepultar o corpo em jazigo pertencente à família dela pois havia a alternativa de sepultá-lo em Morretes. Por um desses enigmas da natureza humana consegui manter-me sereno durante o tempo do velório e sepultamento. Alguns quadros por mim presenciados fixaram-se em minha retina e até hoje, ao evocá-los, a emoção me umedece os olhos. Destaco dois deles: a chegada de coroas de flores enviadas por associações de moradores de bairros pobres de Curitiba, beneficiados pelos mercadões populares, que tinham no Maurício um dos articuladores e outro, à beira do jazigo, onde o corpo do pai estava sendo depositado, meus netos Leonardo e Gustavo, com 8 e 6 anos respectivamente, lançando sobre a urna  funerária pequenos ramalhetes de flores.
Ao lado do representante do Governo de Moçambique, este com semblante triste mas postura firme, durante as exéquias, Joaquim Severino  inconsolável, pranteando aquele com o qual era ligado, não apenas pela relação de trabalho mas também por solida amizade de anos e anos. Misturados ao grande número de pessoas presentes, amigos de Morretes, solidários conosco naquele momento difícil.
Encerro aqui a presente edição sobre o assunto que comporta reflexões que se aprofundaram nestes 23, quase 24 anos, já decorridos, daqueles acontecimentos com muitos episódios não divulgados nesta publicação, mas que espero fazê-lo nas próximas.
   
Obrigado pela atenção caríssimos leitores e até a próxima.
   
Prof. Nazir

            

sábado, 26 de janeiro de 2013

LYCURGO DESPEDIU-SE


          Aconteceu no apagar das luzes de 2012, mais precisamente no dia 29 de dezembro próximo passado. A notícia só nos chegou no dia 21 deste mês transmitida pelo companheiro de Doutrina Marcelo, que a trouxe de Ponta Grossa, onde Lycurgo residia. Para confirmação e detalhes liguei para a residência situada no bairro de Uvaranas. Atendeu-me dona Jaqueline, a senhora que, com muito carinho cuidava dele. Ainda emocionada contou-me ela que os sintomas que levaram Lycurgo ao internamento, indicavam um mal de maior gravidade do que o edema em uma das pernas, que lhe tolhiam os movimentos, e para o qual estava recebendo tratamento. Dona Jaqueline, pedindo ao médico que dele cuidava, que traçasse o quadro real indicativo do estado de saúde do querido enfermo, ouviu o diagnóstico: câncer no fígado. Nada a fazer senão dar-lhe toda a assistência até a hora do desenlace. "Morreu nos meus braços" disse-me ela sem poder conter o choro. Desculpou-se por não ter me comunicado o falecimento, pois, procurando entre as anotações do Sr. Lycurgo não encontrou o número de meu telefone.
          Foram 96 os anos da última existência física desse morretense, dedicado às letras, à Doutrina Espírita, à assistência social, à família que ele constituiu com filhos adotivos, aos amigos entre os quais, privilegiado me incluo, mas sobretudo uma alma boníssima. Certamente o plano espiritual te-lo-á recebido com muito júbilo, enquanto que nós, agora saudosos, guardaremos a lembrança de uma presença muito marcante pelas virtudes e pelo grande coração, marcas registradas do Lycurgo.
          Em sua homenagem, transcrevo aqui, dois trabalhos poéticos que fariam parte do livro que já tinha título, "Fogo de Chão", mas que não chegou a ser editado:




Pergunto aos meus conterrâneos 
No meu jeito de assuntá, 
Dos morros morreteanos 
Quem conhece o Sarapiá

Conhecê tem pouca gente 
maioria ouviu falá, 
mas, dos poucos que conhecem 
vem coisa que vou contá

Só não sei se bem contado 
ou se dá pra acreditá, 
no entanto é coisa nossa 
tem jeito de averiguá
  
Redizem os que conhecem 
tal e qual vou recontá, 
que caboclo pinta braba 
não pisa o Sarapiá.
  
Se pisá o morro apincha 
não adianta arrevesá, 
valentão vira caguincha 
morro abaixo a trambecá. 

Portanto meus conterrâneos 
Este é o morro Sarapiá, 
E os informes consentâneos 
Para no morro chegá.

Quem não tiver qualidade 
Não provoque o Sarapiá 
Pois desinfelicidade
É ser pinchado de lá.
                                                                                 
Nota do autor: Página calcada numa historieta de Marciano Ribeiro de Campos, anhaiense gandavo,* famoso pelas suas porandubas** e marandubas.***
*Gandavo: bras., contador de histórias e fábulas.Mentiroso. ** poranduba: história, notícia, relação. Palavra de origem Tupi. *** maranduba: também de origem Tupi significa história de guerra. Bras., história inverossímil ou fabulosa.
Nota do redator: O trabalho acima foi publicado na Antologia n° 2 da Academia de Letras dos Campos Gerais, editada em 2003. Lycurgo ocupava na Academia a cadeira n° 2 com o pseudônimo Porthus Mariani.


BALOUÇOS DE FLOR AO VENTO 
NA VERDEJANTE RAMADA, 
MINHA GENTE É CUMPRIMENTO 
DA MANHÃ ENSOLARADA

TUDO NA VIDA ENVELHECE 
AQUI, ALI, ONDE FOR, 
MAS UMA COISA ACONTECE 
NUNCA ENVELHECE O AMOR

QUANDO A SAUDADE ALVOROÇA 
AS COISAS DO CORAÇÃO, 
FICA TRISTE A MINHA CHOÇA
AUMENTANDO A SOLIDÃO

OS PINHEIROS MEDITANDO 
NAS HORAS DO ENTARDECER
PARECEM MONGES REZANDO 
PELO SOL QUE VAI MORRER

O SOFRIMENTO INFLIGE 
A MALDADE E O MALFEITOR 
MAS, QUEM PERDOA E CORRIGE 
É O CANSAÇO E O AMOR

QUANDO A MORTE FOR CHEGANDO 
OLHE BEM SEM SE ASSUSTAR 
                                          DOUTRO LADO PRA VOLTAR
É A PRÓPRIA VIDA CHAMANDO 



Nota do redator: o trabalho acima foi publicado na Antologia n° 3 da Academia de Letras dos Campos Gerais, editada em 2005.

              Voltarei a falar de Lycurgo em oportunidades futuras. Seus trabalhos, não só em versos, mas também em prosa, estão a minha disposição em arquivos que organizei para abrigar os que me foram enviados por ele durante os períodos em que nos correspondemos.
                     Até a próxima.
                                                                                           Prof. Nazir





sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

JOÃO LOURENÇO AYROSA(Joanito)


            Entre  os amigos  que o destino colocou no meu caminho e que se situa entre os especiais,  figura o Joanito, pessoa com quem convivi desde a nossa meninice.  Foi dessa convivência, destacando-se o período em que fomos companheiros de atividades doutrinárias e assistênciais, na União Espírita Jesus Maria José,  que nasceu a grande amizade que nos uniu e que perdurou, aqui na vida física, até os primeiros dias deste dezembro de 2012, quando ele nos deixou para reingressar na espiritualidade, onde nossa amizade, certamente continuará, pois a mudança no plano de vida, de forma alguma impedirá que continue existindo esse belo sentimento, que une as almas.

            Para os que pertencem às gerações  mais novas, relembro que Joanito, gerenciou por muitos anos a casa de Comércio pertencente a  um dos grupos da família  Malucelli, aquele capitaneado pelo Sr.Marcos Malucelli, ( o nosso conhecidíssimo “Marquinhos”). O estabelecimento que se situou na esquina das ruas 15 de Novembro com José Morais, está desativado em virtude do encerramento das atividades comerciais do grupo e lá permanece, mantendo-se ainda as paredes da antiga edificação, um ótimo espaço para futuro aproveitamento.

            Joanito, como gerente do estabelecimento, gozava da mais absoluta confiança do titular da empresa, e nessa função permaneceu até entrar no gozo de merecida aposentadoria e nessa condição, ainda morou em Morretes por vários anos, mais precisamente, até o mês de março de 1997. A convivência com os familiares e mais as necessidades relativas à saúde, a exigir assistência médica permanente, fê-los, ele e a esposa Dalila, transferirem-se para Curitiba.

          Abro agora o espaço para comentar, fora do âmbito profissional,  as  atividades doutrinárias e assistenciais com que o Joanito, espírita como eu, nos brindou em sua  fértil existência física. Durante 35 anos (de 1962 a 1997), Joanito foi um colaborador valioso da União  Espírita Jesus Maria José, atuando, durante todo esse tempo, como membro dos Conselhos Deliberativo e Fiscal da entidade, além de nos ajudar nas atividades assistenciais do Recanto Fraterno.

             Depois da transferência para Curitiba, durante um tempo apreciável, Joanito descia a Morretes  de quando em quando,  para atender tarefas de natureza administrativa, ligadas aos bens imóveis que deixara aqui em Morretes, bem como pagar mensalidades de entidades às quais continuava associado. Era o ensejo para recebermos a sua visita juntamente com a esposa Dalila e o filho Roberto.

            Nossos contatos foram se tornando raros por motivo das dificuldades naturais relacionadas à idade e à saúde. Como passei a dividir o meu tempo entre Curitiba e Morretes, agasalhei a idéia de fazer uma visita ao velho companheiro. Essa idéia foi sendo protelada até que me chegou a notícia do falecimento do Roberto, o filho que morava com ele. Então tomei consciência de que a projetada visita não poderia ser mais adiada. Procurei na agenda do celular um número de telefone que eu registrara, tempos atrás. Rezei para que o número não tivesse mudado e fiz a ligação. Fui atendido por ele, disse-lhe que pretendia visita-lo ainda naquele dia, e ele alegremente respondeu que estaria me esperando.

            Com o endereço na mão, tomei um ônibus metropolitano que faz uma das linhas da BR 277 e, logo depois das 14 horas, eu estava sendo recebido efusivamente pelo Joanito e pela Dalila. Durante a tarde conversamos rememorando episódios. Muitas emoções foram vividas por nós ambos, o tempo dilatado de ausência deixara-nos sem notícias, um do outro. Ouvi dele  todos os episódios de sua vida ainda desconhecidos de mim, bem como pude relatar-lhe os de minha própria vida. Era o mesmo Joanito de tantos anos, procurando sempre minimizar os problemas  que sabíamos de difícil solução e que ele enfrentava com muita serenidade no mesmo tempo em que exaltava agradecido todas as coisas boas que a vida lhe oferecia, desde as mais modestas até  as mais significativas. Despedi-me dele, da Dalila e do filho do Roberto, o qual depois do falecimento do pai passara a morar com os avós. Prometi uma nova visita para breve desta vez levando comigo a Zelinda. Não houve tempo. Ao voltar de Curitiba nesta semana,  recebi a notícia da sua desencarnação e do sepultamento de seus restos aqui em Morretes. Nada a lamentar a não ser  a minha ausência no sepultamento e a oportunidade perdida de abraçar os familiares e levar-lhes a palavra amiga, pois a separação embora momentânea, é sempre dolorosa .. Ao Joanito, os meus votos de feliz retorno à pátria verdadeira, muito júbilo pelo reencontro com os entes queridos que já lá se encontram, ansiosos por abraçá-lo, e muito   êxito nas novas etapas que o esperam nos futuros caminhos para o progresso espiritual.

                Do amigo Nazir.

             

  

 

 

 

 

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

ANIVERSÁRIO DAS CASAS ESPÍRITAS DE ANTONINA E MORRETES


A Sociedade Espírita Luz e Conforto, de Antonina, fundada no dia 3 de outubro de 1915, e a União Espírita Jesus Maria José, de Morretes, fundada no dia 3 de outubro de 1935,comemoraram, com uma reunião festiva, realizada no dia 6 de outubro próximo passado, o aniversário de fundação de ambas. Conforme vem sendo feito há anos, e pela coincidência do dia e mês da fundação, as duas casas comemoram em conjunto seus aniversários, alternando apenas  o lugar da festa: ano é a entidade antoninense que a sedia, ano é a entidade morretense. Neste  2012, Morretes estava na vez, e organizou para a realização em sua sede, a reunião, que contou com a presença de um grande número de confrades de Paranaguá, Guaratuba, Matinhos, Pontal do Paraná, os quais, se somaram aos donos da festa, os companheiros de Antonina e Morretes. Antes da composição da mesa, formada pela presidente da U.R.E. 1ª Região, Sra. Solange de França, pelo presidente da Sociedade Espírita Luz e Conforto, Sr. Renato Giamberardino, pela presidente da União Espírita Jesus Maria José, Sra Maria de Lourdes Teixeira Triaquim e pelo expositor convidado para o seminário comemorativo, Sr. Edvaldo Kulcheski, foi projetado um vídeo focalizando as duas entidades aniversariantes com a demonstração do trabalho doutrinário e assistencial realizado por elas no transcurso dos noventa e sete anos de existência da Sociedade Espírita Luz e Conforto e dos setenta e sete anos  completados pela União Espírita Jesus Maria José. Fez-se presente, abrilhantando a solenidade com a parte artística, o coral da casa anfitriã, coordenado pelo lidador  Marcelo Geraldo de Matos, que não apenas dirige com muita competência o grupo de cantores como ainda empresta a sua colaboração com  seu violão e sua arte,  para  fazer o acompanhamento. Importante ainda é que se diga, que a data de 3 de outubro, já é comemorativa para a Doutrina Espírita, uma vez que assinala o dia e mês do nascimento do codificador Allan Kardec. Isso explica a abertura do vídeo que mostra  primeiramente uma  foto do codificador e,em textos, mensagens dele sobre a espinhosa missão de ser um missionário reformador.O vídeo, que fará parte integrante desta postagem, foi montado  pelo mesmo  trabalhador incansável da casa, Marcelo Geraldo de Matos. A exposição doutrinária, feita em seminário pelo confrade Edvaldo Kuchelski, versou sobre o tema “Mediunidade”.A festa foi encerrada com um lanche  confraternativo  entre todos os que compareceram e ainda a oportunidade de saborear, juntamente com salgados, os bolos de aniversário, que as duas entidades providenciaram.

         Parabenizo, com muita alegria, as entidades aniversariantes, e particularmente a anfitriã do evento festivo, a União Espírita Jesus Maria José, na pessoa da presidente, Maria de Lourdes Teixeira Triaquim.

         Aos meus pacientes leitores o meu abraço. Até o próximo encontro,

          Prof. Nazir


 

terça-feira, 14 de agosto de 2012

AMIGOS SOLIDÁRIOS NA DOR DO LUTO


No último sábado deste mês de julho de 2012, aboletei-me em frente ao aparelho de televisão para assistir a mais um depoimento dado por Zelinda, relacionado ao grupo de ajuda,que ela coordena, há já  oito anos, e  cujo nome dá o título a estes comentários.  Como  se tratava de uma entrevista gravada, que a emissora(*) iria reproduzir, pudemos assistir juntos,  ela para conferir a própria postura diante das câmaras e microfones e eu, para  simplesmente assistir pela primeira vez.

            Ao iniciar-se a apresentação pela entrevistadora, Profª Ana Flávia Pegozzo Fedato e tendo diante de mim, imagens e sons perfeitos dos depoimentos prestados pela Zelinda e pela companheira de grupo, Suzana de Oliveira Pimenta, esta psicóloga e mestranda da UFPR, quase não acreditei que estava vivendo um momento como aquele. Ali, na comodidade de uma das salas da residência, podíamos assistir, como se no ambiente da emissora estivéssemos, todos os passos da entrevista e tendo ao meu lado a própria entrevistada. E bendisse o privilégio de ainda estar por aqui, em pleno  século vinte e um, vivendo tão maravilhosas experiências, depois de jornadear a maior parte de minha vida física pelo século vinte.

            Alternando-se nas respostas às perguntas da entrevistadora, Zelinda e Suzana foram compondo o quadro de atividades do grupo, de maneira precisa, ambas falando com muita segurança. Zelinda, historiando o seu ingresso e participação no grupo e a posterior coordenação, Suzana enfocando os problemas que, cada um dos participantes, diante das perdas, tem de enfrentar e resolver com a ajuda do grupo e dos profissionais da área, psicólogos como ela, colaborando nos trabalhos. E ao assistir a gravação da própria entrevista, no ponto em que se referia aos motivos  de seu ingresso e coordenação,  que levaram-na a entregar-se de corpo e alma à tarefa abençoada de amenizar as dores de tantos enlutados, Zelinda, ao mencionar o neto Saulo, falecido aos 14 anos num acidente em Morretes, não conseguiu conter as lágrimas. Naquele momento, como tem acontecido desde que nos tornamos companheiros, ofereci-lhe a mão amiga até que o momento de profunda emoção passasse, repetindo com ela o que dela recebi inúmeras vezes em meus momentos difíceis.

            Para quem não faz ideia do que é o grupo “Amigos Solidários na Dor do Luto” explico resumidademente, esclarecendo todavia, que o histórico,  funcionamento e objetivos, estão explicados detalhadamente no blog que o grupo edita e que tem o seguinte endereço:


            Agora a explicação prometida: trata-se de um grupo que tem por objetivo reunir pessoas que sofrem com a ausência de entes queridos que     faleceram  e que têm nas reuniões um apoio importantíssimo para suportar e superar o momento de profunda tristeza. Importantíssimo ressaltar que muitas das integrantes do grupo, após superarem os períodos de dor e de assenarem a alma, gratas pelo auxílio recebido, permanecem e se entregam às tarefas de também ajudar  às novas que vão chegando. É graças a essa permanência que faz dos Amigos Solidários na Dor do Luto uma verdadeira legião que mistura ex-asssistidos a integrantes permanentes, sempre prontos a arregaçar as mangas e lançar-se ao trabalho,  graças ao qual as iniciativas sob a coordenação de Zelinda são sempre levadas a bom termo.

            Zelinda, desde que abraçou a causa e tornou-se coordenadora do grupo, trabalha incansavelmente no amparo aos que procuram um lenitivo para “a dor que não tem nome”. Irriquieta, no melhor sentido do termo, não limita a sua atividade ao trabalho principal que são as reuniões, ao atendimento telefônico a dezenas de pessoas que ligam ansiosas por serem ouvidas. . Ela vem, já há alguns anos, sempre com a ajuda das voluntárias, promovendo o Natal dos carrinheiros que consiste em arrecadar gêneros e utensílios, incluindo conservas preparadas por ela mesma, para serem distribuídas aos catadores de papel. Essa nova frente de trabalho voluntário, aberta pela Zelinda conta já quatro anos. No último Natal, um fato ocorrido na distribuição merece registro: ao entregar a uma das famílias a cesta básica com alimentos e guloseimas, ouviu de um menino a manifestação do desejo de receber um brinquedo  , insistindo nisso e recusando outras ofertas. Como não dispunha de nada que atendesse aos desejos do menino, Zelinda regressou do trabalho de entrega com a intenção de atendê-lo. Adquiriu uma bola e um carrinho e daí a tarefa mais difícil. Localizar a família e o menino. Saímos de carro, penetramos no bairro onde sabíamos que a família morava, pergunta aqui, pergunta ali, até que, localizados a família e o menino, veio então a alegria incontida de  ver o contentamento do pequeno de posse do tão desejado presente.          Mas o “alvoroço” da nossa querida personagem não fica só nos fatos relatados. Ela descobriu, na leitura de um blog, que lá em Morretes, no lugar chamado Canhembora, existe uma escola municipal, onde os alunos, a maioria oriundos de famílias pobres do lugar, recebem de uma professora abnegada chamada Anency, muito mais do que o ensino regular de uma escola. Zelinda manifestou-me o desejo de conhecer a Escola e a professora e, quando se abriu  a  oportunidade levei-a para o primeiro contacto. Ela se encantou, e imediatamente colocou o seu dinamismo em ação. Como o tempo era de proximidade da Páscoa ela mobilizou-se para proporcionar uma festinha com a distribuição de guloseimas para as crianças e um kit de gêneros destinados às famílias das crianças para o almoço comemorativo na casa de cada uma. Posteriormente, mobilizando doadores amigos, Zelinda propiciou a cada criança  da escola, uniforme e  calçado.        Juntei-me a ela nessas atividades, frequento o grupo não com a regularidade que seria desejável mas,  fazendo presença constante e, desse modo, substituindo as atividades de natureza assistencial e administrativa que exercia na Casa Espírita em Morretes. Lá, onde mantenho residência, continuo presente na instituição integrando um grupo de estudos o que me enseja um contacto semanal com os companheiros que trabalham na Casa e que agora são responsáveis pelo funcionamento.

            Ao encerrar mais este capítulo, parabenizo a Zelinda e sua companheira  Suzana pela entrevista  e com um abraço aos meus pacientes leitores(as), despeço-me. Até a próxima. Prof. Nazir.

(*) Emissora: TV Comunitária de Curitiba.  Programa: Gestão Pública em       debate.  Responsabilidade: Curso Superior Tecnológico de Gestão Pública, Centro Universitário Internacional Olinter.

quarta-feira, 13 de junho de 2012


OS PECADOS DA LÍNGUA E O DEVER DE REFREÁ-LA

         O título que escolhi para a presente mensagem é o mesmo que consta na epístola de Tiago, um dos assuntos que, entre outros, o apóstolo comenta em suas palavras dirigidas à Cristandade. Transcrevê-lo-ei na parte final desta mensagem. Antes, reproduzo o diálogo acontecido entre o velho apóstolo, autor da carta, e Matias, o novo servidor do Evangelho, admitido para ocupar a vaga aberta com a morte de Judas. Esse diálogo, consta da belíssima mensagem de autoria do espírito que se identifica como Irmão X, e que, recebida pelo nosso saudoso Chico, está inserida no livro “Pontos e Contos”. Com o título abaixo,  transcrevo-a na íntegra:

Nas palavras do caminho

         Conta-se que Tiago, o velho apóstolo que permaneceu em Jerusalém, demandava Betânia, junto de Matias, o sucessor de Judas, no Colégio dos continuadores do Cristo, quando foi lembrada, repentinamente, a figura do Iscariotes.

         Contemplando um pomar vizinho, Tiago comentou, em resposta às observações do companheiro:

         - Este sítio lembra o horto em que o mestre foi traído. As árvores próximas parecem esperá-Lo, às lições do crepúsculo, quando o Senhor estimava as meditações mais profundas. Recordo-me ainda do instante inesperado não obstante os seus avisos. Judas vinha à frente de oficiais e de soldados que empunhavam lanternas, varapaus e espadas. Contavam encontrá-Lo à noite, porque Jesus muitas vezes se alegrava em ministrar-nos ensinamentos, à doce claridade noturna. O Mestre porém vinha ao encontro dos adversários e estava sorridente e imperturbável.

         Olhos mergulhados nas reminiscências, o apóstolo relembrava:

         -Adiantou-se o infame e beijou-o na face. Estabeleceu-se o tumulto e consumou-se a prisão do Messias, começando desde então, o nosso martírio.

         -Que insolência! Que homem caviloso esse Judas terrível – replicou Matias, inflamado no zelo apostólico – dói-me evocar o vulto hediondo do ingrato. Como não vacilou ele no crime ignominioso?

         - Será Judas, para sempre, a nossa vergonha – exclamou Tiago, arrimando-se ao bordão rústico -, muitas vezes ouço a argumentação de Pedro, que busca defendê-lo. Ouço e calo—me, porque, para mim não existem palavras que o escusem. Esse traidor será um réu diante da Humanidade. Foi ele que entregou o Mestre aos sacerdotes criminosos e provocou a tragédia do Gólgota. Não tem advogados nem desculpas. Foi perverso, positivamente infame.

         - Como se abalançou a semelhante absurdo? – indagou o interlocutor – tudo lhe dera o Senhor, em bênçãos eternas!

         - Foi o espírito diabólico da ambição desregrada – tornou Tiago em voz firme -, Judas queria absorver a direção do nosso grupo, ombrear com os rabinos do Templo, cativar a simpatia dos romanos dominadores, criar uma organização financeira, submeter o próprio Senhor à sua vontade. Pedro costuma afirmar que o celerado não previa as consequências do ato de traição, nem alimentava o propósito de eliminar o Messias amado; contudo, não posso admitir a suposição. Judas, por certo, condenou o Senhor deliberadamente à morte, e talvez fosse ele o inspirador sutil dos tormentos na cruz. João e Pedro asseveram que o infeliz se arrependeu e chorou; entretanto, chego a duvidar. Um traidor como aquele não encontraria pranto nos olhos. Era demasiado perversos para sofrer por alguém.

         - Com efeito – observou Matias -, não devia passar de criminoso vulgar. A sua memória inspira-me compaixão e vergonha. . .

Depois de ligeira pausa indagou:

         - Chegou a vê-lo antes da morte?

         - Não – replicou Tiago, de maneira significativa – e não sei se me comportaria fraternalmente se ainda o tivesse ante os olhos. O traídor rmorreu nos laços diabólicos que teceu com as próprias mãos. Devia descer aos infernos, como desceu, envolvido em trevas densas. Era um perverso gênio das potências inferiores.

          - E os familiares desse homem cruel? – interrogou  Matias, curioso – porventura lhe aprovaram a conduta satânica?

         Tiago ia responder, mas alguma coisa lho impediu. O velho apóstolo arregalou os olhos, interrompeu a marcha e perguntou ao companheiro:

          -Quem é aquele que vem lá, vestido em luz resplandecente?

         Assombrado Matias redarguiu:

          - Também vejo, também vejo!

         Banhado, agora, em lágrimas Tiago reconheceu o Messias. Lembrou a narrativa dos discípulos, a caminho de Emaús, ajoelhou-se reverente, e falou baixinho:

          - É o Senhor!

         Aproximou-se Jesus com a majestosa beleza da espiritualidade sublime e parou,  por instantes, ao lado dos companheiros. Contemplou-os compassivamente, como Mestre afetuoso junto a dois aprendizes humildes. Matias chorava, sem força para erguer os olhos. Tiago, em pranto, ousou olhá-lo e rogou:

          - Senhor, abençoai-nos!

         Jesus estendeu a destra em sinal de amor e, como nada dissesse, o velho galileu considerou:

         - Senhor, podemos voltar para Jerusalém, a fim de receber a vossa vontade e cumpri-la!

         - Não Tiago – respondeu o Cristo, doce e firmemente -, não vou agora à cidade, sigo em missão de auxílio a Judas.

         E sem acrescentar coisa alguma, continuou a excursão solitária, em sublime silêncio.

         Nessa noite, quando voltou a Jerusalém, o velho Tiago insulou-se da comunidade, e, tomando os pergaminhos onde começara a escrever sua bela epístola à Cristandade, anotou, em lágrimas, suas famosas considerações sobre a língua humana.

        

         As considerações sobre a língua humana estão em Tiago 3: 1 a 12, Atos. Trancrevo-as a apartir do título:

Os pecados da língua e o dever de refreá-la

       1          Meus irmãos, não vos torneis, muitos de vós, mestres, sabendo que havemos de receber maior juízo.

         2 Porque todos tropeçamos em muitas cousas. Se alguém não tropeça no falar é perfeito varão, capaz de refrear também todo o seu corpo.

         3 Ora se pomos freios na boca dos cavalos, para nos obedecerem,, também lhe dirigimos o corpo inteiro.

         4 Observai, igualmente, os navios que, sendo tão grandes e batidos dos rijos ventos, por um pequeníssimo leme são dirigidos para onde queira o impulso do timoneiro.

         5 Assim também a língua, pequeno órgão, se gaba de gandes cousas. Vede como uma fagulha põe em brasa tão grande selva!

         6 Ora, a língua é fogo; é mundo de iniquidade; a língua está situada entre os membros do nosso corpo, e contamina o corpo inteiro e não só põe em chamas toda a carreira da existência humana, como é posta ela mesma em chamas pelo inferno.

         7 Pois toda espécie de feras, de aves, de répteis e de seres marinhos se doma e tem sido domada pelo gênero humano;

         8 A língua, porém, nenhum dos homens é capaz de domar; é mal incontido, carregado de veneno mortífero.

         9 Com ela bendizemos ao Senhor e Pai; também com ela amaldiçoamos os homens, feitos à semelhança de Deus:

         10 de uma só boca procede bênção e maldição. Meus irmãos, não é conveniente que estas cousas sejam assim.

         11 Acaso pode a fonte jorrar do mesmo lugar o que é doce e o que é amargoso?

         12 Acaso, meus irmãos, pode a figueira produzir azeite, ou a videira figos? Tão pouco fonte de água salgada pode dar água doce.

         Tiago aborda de novo o assunto em 4: 11 e 12. Transcrevo a partir do título:

A maledicência é condenada

         11 Irmãos, não faleis mal uns dos outros. Aquele que fala mal do irmão, ou julga a seu irmão, fala mal da lei, e julga a lei; ora se julgas a lei não és observador da lei, mas juiz.

         12 Um só é Legislador e Juiz,  aquele que pode salvar e fazer perecer; tu, porém, quem és, que julgas ao próximo?



         Para encerrar os enfoques sobre assunto tão palpitante, que tem nos textos acima, como palco, acontecimentos de dois milênios atrás, mas atualíssimos para os dias que correm, quero lembrar fatos recentes, por mim relatados em postagens anteriores, que tem entre os protagonistas aqueles que identifiquei como “plantonistas da maledicência”. È incrível que fatos gerados por medidas administrativas, decididas não por uma pessoa só, mas por um Conselho de sete membros, que sacramentaram por votação as resoluções tomadas, sofram distorções tão gritantes e tão absurdamente distantes da realidade. Decididamente, para  aspirar a uma humanidade mais fraterna e mais feliz temos muito que caminhar e aprender.

         Amigos, obrigado pela atenção e até a próxima.

        Prof. Nazir