terça-feira, 14 de agosto de 2012

AMIGOS SOLIDÁRIOS NA DOR DO LUTO


No último sábado deste mês de julho de 2012, aboletei-me em frente ao aparelho de televisão para assistir a mais um depoimento dado por Zelinda, relacionado ao grupo de ajuda,que ela coordena, há já  oito anos, e  cujo nome dá o título a estes comentários.  Como  se tratava de uma entrevista gravada, que a emissora(*) iria reproduzir, pudemos assistir juntos,  ela para conferir a própria postura diante das câmaras e microfones e eu, para  simplesmente assistir pela primeira vez.

            Ao iniciar-se a apresentação pela entrevistadora, Profª Ana Flávia Pegozzo Fedato e tendo diante de mim, imagens e sons perfeitos dos depoimentos prestados pela Zelinda e pela companheira de grupo, Suzana de Oliveira Pimenta, esta psicóloga e mestranda da UFPR, quase não acreditei que estava vivendo um momento como aquele. Ali, na comodidade de uma das salas da residência, podíamos assistir, como se no ambiente da emissora estivéssemos, todos os passos da entrevista e tendo ao meu lado a própria entrevistada. E bendisse o privilégio de ainda estar por aqui, em pleno  século vinte e um, vivendo tão maravilhosas experiências, depois de jornadear a maior parte de minha vida física pelo século vinte.

            Alternando-se nas respostas às perguntas da entrevistadora, Zelinda e Suzana foram compondo o quadro de atividades do grupo, de maneira precisa, ambas falando com muita segurança. Zelinda, historiando o seu ingresso e participação no grupo e a posterior coordenação, Suzana enfocando os problemas que, cada um dos participantes, diante das perdas, tem de enfrentar e resolver com a ajuda do grupo e dos profissionais da área, psicólogos como ela, colaborando nos trabalhos. E ao assistir a gravação da própria entrevista, no ponto em que se referia aos motivos  de seu ingresso e coordenação,  que levaram-na a entregar-se de corpo e alma à tarefa abençoada de amenizar as dores de tantos enlutados, Zelinda, ao mencionar o neto Saulo, falecido aos 14 anos num acidente em Morretes, não conseguiu conter as lágrimas. Naquele momento, como tem acontecido desde que nos tornamos companheiros, ofereci-lhe a mão amiga até que o momento de profunda emoção passasse, repetindo com ela o que dela recebi inúmeras vezes em meus momentos difíceis.

            Para quem não faz ideia do que é o grupo “Amigos Solidários na Dor do Luto” explico resumidademente, esclarecendo todavia, que o histórico,  funcionamento e objetivos, estão explicados detalhadamente no blog que o grupo edita e que tem o seguinte endereço:


            Agora a explicação prometida: trata-se de um grupo que tem por objetivo reunir pessoas que sofrem com a ausência de entes queridos que     faleceram  e que têm nas reuniões um apoio importantíssimo para suportar e superar o momento de profunda tristeza. Importantíssimo ressaltar que muitas das integrantes do grupo, após superarem os períodos de dor e de assenarem a alma, gratas pelo auxílio recebido, permanecem e se entregam às tarefas de também ajudar  às novas que vão chegando. É graças a essa permanência que faz dos Amigos Solidários na Dor do Luto uma verdadeira legião que mistura ex-asssistidos a integrantes permanentes, sempre prontos a arregaçar as mangas e lançar-se ao trabalho,  graças ao qual as iniciativas sob a coordenação de Zelinda são sempre levadas a bom termo.

            Zelinda, desde que abraçou a causa e tornou-se coordenadora do grupo, trabalha incansavelmente no amparo aos que procuram um lenitivo para “a dor que não tem nome”. Irriquieta, no melhor sentido do termo, não limita a sua atividade ao trabalho principal que são as reuniões, ao atendimento telefônico a dezenas de pessoas que ligam ansiosas por serem ouvidas. . Ela vem, já há alguns anos, sempre com a ajuda das voluntárias, promovendo o Natal dos carrinheiros que consiste em arrecadar gêneros e utensílios, incluindo conservas preparadas por ela mesma, para serem distribuídas aos catadores de papel. Essa nova frente de trabalho voluntário, aberta pela Zelinda conta já quatro anos. No último Natal, um fato ocorrido na distribuição merece registro: ao entregar a uma das famílias a cesta básica com alimentos e guloseimas, ouviu de um menino a manifestação do desejo de receber um brinquedo  , insistindo nisso e recusando outras ofertas. Como não dispunha de nada que atendesse aos desejos do menino, Zelinda regressou do trabalho de entrega com a intenção de atendê-lo. Adquiriu uma bola e um carrinho e daí a tarefa mais difícil. Localizar a família e o menino. Saímos de carro, penetramos no bairro onde sabíamos que a família morava, pergunta aqui, pergunta ali, até que, localizados a família e o menino, veio então a alegria incontida de  ver o contentamento do pequeno de posse do tão desejado presente.          Mas o “alvoroço” da nossa querida personagem não fica só nos fatos relatados. Ela descobriu, na leitura de um blog, que lá em Morretes, no lugar chamado Canhembora, existe uma escola municipal, onde os alunos, a maioria oriundos de famílias pobres do lugar, recebem de uma professora abnegada chamada Anency, muito mais do que o ensino regular de uma escola. Zelinda manifestou-me o desejo de conhecer a Escola e a professora e, quando se abriu  a  oportunidade levei-a para o primeiro contacto. Ela se encantou, e imediatamente colocou o seu dinamismo em ação. Como o tempo era de proximidade da Páscoa ela mobilizou-se para proporcionar uma festinha com a distribuição de guloseimas para as crianças e um kit de gêneros destinados às famílias das crianças para o almoço comemorativo na casa de cada uma. Posteriormente, mobilizando doadores amigos, Zelinda propiciou a cada criança  da escola, uniforme e  calçado.        Juntei-me a ela nessas atividades, frequento o grupo não com a regularidade que seria desejável mas,  fazendo presença constante e, desse modo, substituindo as atividades de natureza assistencial e administrativa que exercia na Casa Espírita em Morretes. Lá, onde mantenho residência, continuo presente na instituição integrando um grupo de estudos o que me enseja um contacto semanal com os companheiros que trabalham na Casa e que agora são responsáveis pelo funcionamento.

            Ao encerrar mais este capítulo, parabenizo a Zelinda e sua companheira  Suzana pela entrevista  e com um abraço aos meus pacientes leitores(as), despeço-me. Até a próxima. Prof. Nazir.

(*) Emissora: TV Comunitária de Curitiba.  Programa: Gestão Pública em       debate.  Responsabilidade: Curso Superior Tecnológico de Gestão Pública, Centro Universitário Internacional Olinter.
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